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Classificação de dietas enterais (parte 1)

As dietas enterais são constituídas de alimento para fins especiais, com objetivo de substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes que por algum motivo terão que se alimentar via sonda enteral. A classificação desta dieta é feita em relação ao modo de preparo, teor energético, complexidade dos macronutrientes, dentre muitos outros parâmetros. No primeiro contato com elas, pode parecer muito complicado escolher qual será prescrita para o paciente, entretanto, saber classifica-las pode ser bem menos complicado do que parece.


A nutrição enteral pode ser dividida em dois tipos, dieta artesanal e a industrializada. A artesanal é aquela que é preparada com os alimentos in natura, onde os mesmos deverão se liquidificados, coados e então administrados, é necessário que a dieta esteja bem diluída para que ao passar pelo tubo não obstrua o mesmo. Já as dietas industrializadas são aquelas comercializadas na forma de pó ou líquido, com prazo de validade determinado pelo fabricante. Quando há associação de dietas artesanais e industrializadas, a dieta resultante é denominada de dieta enteral mista.

Quanto ao teor energético, as dietas enterais podem ser classificadas de acordo com sua densidade calórica: Dietas enterais hipocalóricas: <0,9 Kcal/mL. Dietas enterais normocalóricas: 0,9 a 1,2 Kcal/mL. Dietas enterais hipercalóricas: >1,2 Kcal/mL.


Quanto ao fornecimento dos nutrientes, as dietas enterais podem ser classificadas como completas ou incompletas.


As dietas enterais completas são aquelas que contêm todos os nutrientes em sua composição (proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas e minerais) e podem ser usadas como fonte exclusiva de alimentação. Por sua vez, as dietas enterais incompletas, também conhecidas como “módulos” ou “suplementos”, são as fórmulas compostas por apenas um dos principais grupos de nutrientes citados anteriormente. Elas não podem ser utilizadas como fontes exclusiva de alimentação.


Quanto à complexidade dos macronutrientes, as dietas enterais podem ser classificadas como poliméricas, oligoméricas ou elementares. Essa classificação é baseada principalmente na forma de apresentação das proteínas.

As dietas enterais poliméricas são aquelas que possuem os macronutrientes na forma intacta, ou seja, as proteínas se apresentam na forma de polipeptídeos. É necessário que o paciente esteja com o trato gastrointestinal funcionando para realizar a digestão completa. Nesta classificação, as principais fontes proteicas são o caseinato, a proteína de soja e o soro do leite. Já as enterais oligoméricas apresentam os nutrientes parcialmente hidrolisados, enquanto que nas elementares, a hidrolisação já está completa (proteínas na forma de aminoácidos). Estas dietas requerem uma menor digestão, sendo indicadas para pacientes com funções gastrointestinais prejudicadas. Nestas classificações, as principais fontes proteicas são hidrolisado de lactoalbumina, hidrolisado de soja e caseinato hidrolisado, podendo conter aminoácidos livres como glutamina, arginina ou aminoácidos de cadeia ramificada.


As dietas enterais ainda podem ser classificadas em padrão e especializadas. Dietas padrão são aquelas que tendem a suprir as necessidades nutricionais (macro e micronutrientes) dos indivíduos de forma a conservar ou melhorar o estado nutricional dos mesmos. As especializadas são aquelas que além de melhorar o estado nutricional do paciente, atua ativamente em seu tratamento clínico, colaborando, por exemplo, para o controle do índice glicêmico, modulando a resposta imune, entre outras. O objetivo da dieta especializada é atender as necessidades de alguma doença ou condição específica, de modo a otimizar o tratamento. As fórmulas pediátricas, por exemplo, são um tipo de dieta especializada para crianças menores de 10 anos, com requisitos definidos pela RDC nº 21/15.


Nesta primeira parte falamos um pouco sobre algumas características importantes das formulas nutricionais, no próximo texto falaremos sobre diferença de dietas para sistema aberto e fechado, osmolaridade e teor de macronutrientes, não perca!


Referências:


WAITZBEERG, D. L Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica. 5ª ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2017.


RESOLUÇÃO RDC Nº 503, DE 27 DE MAIO DE 2021. Dispõe sobre os requisitos mínimos exigidos para a Terapia de Nutrição Enteral. Disponível em: < https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2020/rdc0503_27_05_2021.pdf>. Acesso em: 23/02/2023.



Como referenciar este post?


MACHIAVELLI, Sabrina. Classificação de dietas enterais (parte 1). Post 423. Nutrição Atenta. 2023.

Instagram: @nutricionistasabrinakaely


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