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  • Foto do escritorSabrina Kaely

Existe uma ligação entre o intestino e o risco de doença cardíaca?


O intestino é o principal lar de trilhões de bactérias, conhecidos coletivamente como a microbiota humana. Esses micróbios ajudam na digestão, fabricam certos nutrientes e liberam substâncias que têm amplos efeitos na saúde. Como a dieta desempenha um papel significativo na composição da microbiota intestinal, o que você come pode afetar a saúde do coração, para melhor ou para pior.


Uma maneira de o intestino fazer isso é com metabólitos, substâncias que a microbiota intestinal cria ao decompor os alimentos. Um metabólito intestinal específico, a trimetilamina (TMA), se forma quando as bactérias intestinais se alimentam de colina, um nutriente encontrado na carne vermelha, peixe, aves e ovos. No fígado, o TMA é convertido em N-óxido de trimetilamina (TMAO), uma substância fortemente ligada à formação de placas que obstruem as artérias.


Uma pesquisa mostrou que, pessoas com altos níveis de TMAO no sangue são mais propensas a sofrer um ataque cardíaco ou derrame do que aquelas com níveis mais baixos. Como a carne vermelha é a principal fonte de TMA, diminuir o consumo poderia impedir que o intestino produza muito TMAO.


De fato, um estudo na edição de setembro de 2022 da Arteriosclerosis, Thrombosis, and Vascular Biology descobriu que entre quase 4.000 pessoas com 65 anos ou mais, aquelas que comiam uma média de 1,1 porções de carne vermelha por dia tinham um risco 22% maior de problemas cardíacos em comparação com aqueles que comiam menos.


Os pesquisadores apontaram que cerca de 10% desse risco adicional pode ser atribuído ao aumento dos níveis de TMAO, bem como de outros dois metabólitos – gama-butirobetaína e crotonobetaína – que também são produzidos por bactérias intestinais a partir de componentes da carne vermelha.

Em contrapartida, manter uma dieta rica em fibras, parece trazer grandes vantagens para o intestino e consequentemente para o coração, pois além delas diminuírem a absorção de colesterol, as bactérias a utilizam como fonte de energia, produzindo ácidos graxos de cadeia curta. Esses compostos interagem com receptores específicos nas células que regulam a pressão sanguínea, controlam melhor o açúcar no sangue e o peso corporal em pessoas com diabetes e amortecem a inflamação, tudo o que pode melhorar a saúde do coração.


Ainda não está claro se outros alimentos que melhoram a microbiota intestinal, como por exemplo os probióticos encontrados em leites fermentados, também podem apoiar a saúde do coração. A melhor estratégia para manter seu intestino saudável para dar aquela forcinha ao seu coração, parece ser uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, conforme indica nosso guia alimentar brasileiro.


REFERÊNCIA

HARVAR MEDICAL SCHOOL. Healthy gut, healthy heart. Is there a link between the gut and the risk of heart disease? Disponível em: <https://www.health.harvard.edu/staying-healthy/healthy-gut-healthy-heart> Acesso em 29/01/2023


Como referenciar este post?

MACHIAVELLI, Sabrina. Existe uma ligação entre o intestino e o risco de doença cardíaca?. Post 404. Nutrição Atenta. 2023.

Instagram: @nutricionistasabrinakaely



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