Por que suplementar o ácido fólico na gestação?


Uma alimentação equilibrada em macro e micro nutrientes é essencial para a saúde de qualquer pessoa, mas em especial para as gestantes, em razão de as demandas nutricionais estarem aumentadas nesse período e para o feto, visando propiciar o desenvolvimento adequado.


A recomendação acerca da ingestão diária de micronutrientes na gestação é estabelecida pelo Institute of Medicine norte-americano – (IOM) e pela agência Health Canadá por meio da Dietary Reference Intakes (DRIs).


O consumo diário de micronutrientes na gravidez é essencial para assegurar o aporte de vitaminas e minerais necessários para o desenvolvimento fetal, da placenta e dos tecidos maternos, além de reduzir os defeitos congênitos, prevenir doenças crônicas não transmissíveis na mãe, como diabetes mellitus gestacional e síndromes hipertensivas1.



O primeiro trimestre de gestação, por ser um período marcado por grande replicação e divisão celular e síntese de nucleotídeos, a ingestão de ácido fólico é essencial para garantir um desenvolvimento fetal e placentário, visto que em quantidades insuficientes pode levar ao surgimento de defeitos do tubo neural no feto e à anemia megaloblástica na mãe2.


Os defeitos do tubo neural são considerados anomalias congênitas que podem afetar o cérebro ou a medula espinhal, podendo ocorrer por volta do vigésimo segundo ao vigésimo oitavo dia após a concepção, ou seja, antes mesmo da mulher ter conhecimento da gravidez. Essas anomalias são uma das causas de morbidade e mortalidade do lactente3.


Os casos mais comuns dessas anomalias incluem a anencefalia, que é a ausência completa ou paciente do cérebro e do crânio, sendo incompatível com a vida, e a outra é espinha bífida, que é caracterizada por um defeito de fechamento ósseo posterior da coluna vertebral, que se manifesta por paralisia variável e perda de sensibilidade nas pernas, bexiga neurogênica e outras4.


Estudos mostram que a suplementação de ácido fólico no inicio da gestação previne defeitos no tubo neural. Com base nessas pesquisas a Organização Mundial de Saúde (OMS), endossada pelo Ministério da Saúde do Brasil (MS) recomendam a ingestão diária de 400µg. Para as mulheres que desejam engravidar, a recomendação é que a suplementação ocorra pelo menos 30 dias antes data planejada para engravidar, devendo ser mantida durante todo o período gestacional para prevenir anemias5-6.


Considerando que muitas mulheres não programam a gravidez, e por consequência não realizam a suplementação na pré-concepção, o Brasil, por meio da RDC n. 344, de 13/12/2002, regulamentou a obrigatoriedade da fortificação com ferro e ácido fólico nas farinhas de trigo e de milho produzidas pelas indústrias, visando minimizar essas anomalia congênitas7.



O ácido fólico é uma vitamina pertencente ao complexo B, que está presente em frutas cítricas, vegetais folhosos verde-escuros, brócolis, espinafre, beterraba, nozes, amendoim, arroz branco, feijão preto, fígado de boi, de frango, ovos de galinha, quiabo e outros. Nos alimentos, o ácido fólico está na forma de poliglutamato, onde é convertido em monoglutamato antes de ser absorvido pelo intestino8.


Na forma de monoglutamato, a taxa de absorção pelo organismo é 60%, por outro lado, quando está na forma de ácido fólico nos alimentos enriquecidos e nos suplementos polivitamínicos, a sua taxa de absorção é de 98%, sendo portanto, importante a suplementação no período gestacional9.


A suplementação de ácido fólico durante a gestação e antes de engravidar é necessária, mesmo diante de uma alimentação equilibrada por seus efeitos benéficos para a saúde da mãe e do feto, pelos motivos explanados acima.



Nesse sentido, cuidar da alimentação e suprir as deficiências nutricionais no período gestacional são formas de assegurar uma gravidez saudável e um desenvolvimento satisfatório do bebê. Assim, procure um nutricionista, pois ele é o profissional habilitado promover as orientações nutricionais e fazer a prescrição dietética da gestante.





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SCORSAFAVAFA, Claudia. Por que suplementar o ácido fólico na gestação? Post 233. Nutrição Atenta. 2022.

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