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Você sabe o que é leite A2?

Atualizado: 14 de jan.


O leite de vaca é um dos alimentos mais consumidos no Brasil e no mundo. Ele é rico em proteínas, sendo ele formado por caseína (α, β, κ-caseína), e proteína do soro do leite, 80% e 20% respectivamente. Das caseínas, a β-caseína (beta caseína) representa 45%. Além das proteínas o leite é composto por água, carboidratos (lactose), cálcio, vitamina D e potássio.


Algumas pessoas apresentam desconforto gastrointestinais após a ingestão do leite de vaca e devido a isso evitam ou excluem este alimento da dieta habitual. Este desconforto é conhecido como síndrome de intolerância ao leite não relacionada com a lactose, com efeitos sobre a motilidade gastrintestinal e ação pró inflamatória, alguns dos sintomas são dores na barriga e fezes volumosas ou até mesmo diarreia.


No leite comum (A1 ou A1A2) após a ingestão, ocorre a liberação do peptídeo opioide β-casomorfina-7 (BCM-7), derivado da beta caseína, o BCM7 é um peptídeo bioativo com forte atividade opioide (semelhante à morfina), que pode gerar desconforto intestinal quando presente no trato gastrointestinal de humanos, no leite A2 essa liberação não ocorre.


A produção do leite A2 depende da genética da vaca, a maior parte das vacas leiteiras no Brasil apresenta genótipo A1A2 e, portanto, produzem ambas as formas de beta-caseínas (A1 e A2) em seu leite. Outros animais possuem ainda o genótipo A1A1 e produzem apenas a beta-caseína A1, enquanto alguns animais possuem genótipo A2A2 e, portanto, produzem leite puramente A2.


O que diferencia essas duas variantes genéticas da β-caseína é a substituição de apenas um aminoácido na posição 67 dos 209 aminoácidos que compõem esta proteína. A β-caseína A1 apresenta um resíduo de histidina (His 67), enquanto a β-caseína A2 apresenta um resíduo de prolina (Pro 67).


A maioria do leite produzido hoje no Brasil contém uma mistura de β-caseínas A1 e A2, entretanto, algumas fazendas já selecionaram seus rebanhos para produção de leite puramente A2, e recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou a Resolução 3.980 (20/10/2021), que autoriza a inclusão da seguinte frase no rótulo das embalagens de leite A2: “Leite produzido a partir de vacas com genótipo A2/A2”.


Alguns estudos já foram publicados mostrando que o consumo do leite A2 pode ser vantajoso para aqueles que sofrem de intolerância ao leite não relacionada com a lactose, pois não há a presença da β-caseína A1 e consequentemente o BCM7. Entretanto já é possível observar que as indústrias produtoras de leite A2 estão investindo na alegação de que este leite é mais saudável que o comum e que seu consumo estaria relacionado a diminuição de várias doenças, desde o desconforto a doenças cardíacas.


O fato é, existe uma variação genética de vacas que produzem leites A2 que podem melhorar o desconforto gastrointestinal e isso seria benéfico somente para aqueles que apresentam o desconforto. Para as demais alegações é necessário que mais estudos sejam realizados, tento em vista que ainda faltam evidências científicas de que o leite comum possa causar qualquer benefício a indivíduos saudáveis.


REFERÊNCIAS


BARBOSA, M. G.; SOUZA, A. B.; TAVARES, G. M.; ANTUNES, A. E. C. Leites A1 e A2: revisão sobre seus potenciais efeitos no trato digestório. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, SP, v. 26, p. e019004, 2019. DOI: 10.20396/san.v26i0.8652981. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8652981. Acesso em: 01 jan. 2023.

KAPLAN, M. et. al., Benefits of A2 Milk for Sports Nutrition, Health and Performance Journal Frontiers in Nutrition (2022). DOI. 10.3389/fnut.2022.935344. Disponível em: <https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fnut.2022.935344/full>.Acesso em 01/01/2023.


Como referenciar este post?

MACHIAVELLI, Sabrina. Você sabe o que leite A2?. Post 386. Nutrição Atenta. 2023.

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