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Nutrição enteral trófica versus plena. Qual é a melhor para pacientes críticos?


Segundo a ESPEN - Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo - a nutrição trófica pode ser definida como “a administração mínima de nutrientes com efeitos benéficos, como a manutenção do epitélio intestinal e da função imunitária.” Não há uma definição exata de quantas calorias essa dieta representaria, entretanto, alguns estudos trazem a marca de 10% a 20% do gasto energético. Já a nutrição plena pode ser considerada aquela que proporciona 80% ou mais das necessidades energéticas do indivíduo.


​É importante observar que a escolha adequada da nutrição em pacientes críticos, ou seja, aqueles pacientes graves internados em Unidades de Terapia Intensiva, deve levar em consideração as fases da doença: aguda e crônica. A fase aguda é dividida em dois períodos. O primeiro é marcado por instabilidade hemodinâmica e aumento no catabolismo permanecendo por 1 a 2 dias (fase Ebb) e o segundo por uma intensa perda de massa muscular, mobilização de substratos energéticos para preservar os tecidos, tendo duração de 2 a 7 dias (fase flow). Passada a fase aguda, inicia-se a fase crônica, também denominada fase anabólica, em que cessa a resposta metabólica ao trauma e a perda tecidual pode ser substituída por ressíntese. Posto isso, determinar o início e o tipo de nutrição para pacientes graves poderia melhorar seu prognóstico.


​Entretanto, a literatura científica ainda não demostrou se em uma UTI, deve-se utilizar a nutrição trófica ou plena. Segundo a BRASPEN - Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral – em sua última publicação que atualizou a Diretriz de Terapia Nutricional no Paciente Grave, os estudos que comparam nutrição trófica versus plena não mostram diferença significativa no que se refere a desfechos principais. Portanto, a diretriz recomenda (opinião de especialista), que pacientes desnutridos prévios ou de alto risco nutricional não recebam nutriçãotrófica, desde que exista tolerância gastrintestinal e condição clínica que permita a nutrição plena.

 

Referências

CASTRO, M. G. C. et al. Diretriz BRASPEN de Terapia Nutricional no Paciente Grave. Braspen Journal, v. 38, n. 2, p.2-46, 2023.


SINGER, P. et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in the intensive care unit. Clinical Nutrition (Edinburgh, Scotland), v. 38, n. 1, p. 48–79, 2019.


Como referenciar este post?

MACHIAVELLI, Sabrina. Nutrição enteral trófico versus plena. Qual é a melhor para pacientes críticos?. Post 483. Nutrição Atenta. 2023.

Instagram: @nutricionistasabrinakaely

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