Como está o consumo alimentar do brasileiro?

Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2017-2018 indicam que entre os produtos que apresentaram aumento de suas quantidades per capita médias adquiridas entre os períodos de realização das POF’s nacionais, destacam-se os Ovos (94%), os Alimentos Preparados e Misturas Industriais (56%), as Bebidas Alcoólicas (19%) e as Bebidas Não Alcoólicas (17%). A evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, estimada com base nas POF’s realizadas em 2002-2003, 2008-2009 e 2017-2018, indica que alimentos in natura ou minimamente processados e ingredientes culinários processados vêm perdendo espaço para alimentos processados e sobretudo, para alimentos ultraprocessados (IBGE, 2020).


Entende-se por alimentos ultraprocessados, aqueles produzidos industrialmente, com alto valor energético, excesso de sódio, açúcar e gordura, com baixa qualidade nutricional, além de conter excesso de aditivos químicos. Atualmente os frequentes estudos sobre a sua natureza e nomenclatura são constantes. Não deveriam ser chamados de alimentos, mas sim de gênero alimentício. O gênero alimentício ultraprocessado pode estar presente nos seguintes grupos alimentares: Leites e Derivados, Preparações Culinárias Doces e Açúcares, Cereais e Derivados, Bebidas, Molhos e Pratos prontos. São exemplos de alimentos ultraprocessados: Refrigerantes e refrescos; iogurtes e bebidas lácteas; “bebidas energéticas”; “salgadinhos de pacote”; biscoitos doce ou salgados; sorvetes; balas e guloseimas em geral; “cereais matinais”; bolos e misturas para bolo; barras de cereal; sopas, macarrão e temperos “instantâneos”; molhos; produtos congelados e prontos para aquecimento como pratos de massas, pizzas; hambúrgueres e extratos de carne de frango ou peixe empanados do tipo nuggets; salsichas e outros embutidos; “pães de forma”; pães para hambúrguer ou hot dog (CINTRA, 2021(a).; BRASIL, 2021).


Dados da análise do Inquérito Nacional de Alimentação (2008-2009) revelaram que de uma ingestão energética média de 1.921 kcal, 52% das quilocalorias totais são provenientes dos açúcares adicionados e de gorduras (PEREIRA et al., 2014). Para alguns autores, esse alto consumo pode estar relacionado ao desconhecimento das diversas nomenclaturas dos açúcares disponíveis nos rótulos dos alimentos e também ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados (SCAPIN, 2016.; LOUZADA et al, 2015.; PEREIRA et al, 2014).


De acordo com algumas pesquisas, o ato de se alimentar foi mudando conforme o indivíduo entrava em isolamento social. O brasileiro passou a consumir mais alimentos ultraprocessados, em detrimento da alimentação saudável, que é uma das formas de prevenção de doenças, por aumentar a imunidade. A ansiedade, o medo, o acúmulo de tarefas em casa, a mudança de hábitos, mais tempo ocioso, além do sedentarismo, impulsionaram todas essas mudanças (MALTA et al., 2020).


Destaca-se ainda, que a mudança incorreta de hábitos alimentares pode acarretar aumento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Durante a pandemia, as pessoas permanecem mais tempo em casa, o que gera ansiedade e por consequência um consumo maior de alimentos. Ademais, o medo de se consumir alimentos pré-preparados frescos contaminados pelo vírus e a confiança na inocuidade dos ultraprocessados pode ser fator determinante para a escolha destes últimos (BUSATO, 2020).


Referência:


SANTOS, Juliana Maria Antenor dos.; MASSULO, Andreia de Oliveira.; POSSIK, Priscila Abrão.; CUSTÓDIO, Jeniffer Michelline de Oliveira.; CINTRA, Patricia. Investigação das quantidades dos alimentos que compõem a dieta da população brasileira. https://doi.org/10.34119/bjhrv4n4-218. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/34341. Acesso em: 28 ago. 2021.



Como referenciar este post?


CINTRA, Patricia. Como está o consumo alimentar do brasileiro?. Post 115. Nutrição Atenta. 2021.

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